domingo, 19 de julho de 2015

A IGREJA DA INCOMUNICABILIDADE


No mínimo curiosa essa banda relativamente recente, o Chvrches. Dois caras e uma garota mandando um som com estrutura de rock em canções trabalhadas com molho de pop eletrônico dos anos 80. Ou seja, o máximo em mudernidade  agora, em 2015. Sendo estritamente cínico e sem um pingo de bom senso, dá pra dizer que é uma requentada muito da mal-feita em Duran Duran, Depeche Mode, Pet Shop Boys com o molho de todo o novo rock feito de 2000 até agora.

A menina, Lauren Mayberry, canta com um senso de abandono e deslocamento, tornando o que seria trágico em estilo, enquanto os dois carinhas mandam bases pré-gravadas e eventuais linhas de guitarra e baixo. É a era do amadorismo, gente que fez música a vida inteira no quarto, agora transportados para grandes festivais, vendendo emoção em trilha de telefone celular.

Nada contra, mas é oposto do ideal punk, o do it yourself . Agora o amadorismo é fashion e todo mundo se veste impecavelmente, nascem prontos. Alguém pode argumentar que o punk também apregoava estética, mas o som era impactante, era desafiador.

Aqui não. O Chvrches canta sobre amores perdidos, amores encontrados, amores destruídos. Tudo sob a perspectiva de jovens classe média alta num cenário urbano, onde as consequências da vida de fato duram o episódio de um seriado de tv, cujo qual aspiram ser parte da trilha sonora. 

O som é milimetricamente calculado para fazer você se sentir dentro de um filme ruim do John Hugues rodado em Los Angeles na madrugada, nos anos 80. As letras não dizem nada, e a performance de palco não permite interação a não ser achar aquilo tudo lindo e querer filmar no iPhone. É tudo muito bonito e muito incomunicável. Enquanto eu assistia a performance da banda no pitchfork festival agora no final de semana, via internet, me senti emocionado e até impressionado com a capacidade do Chvrches em fazer hits, mas era mentira: não havia significado real algum na música deles.   

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