domingo, 19 de julho de 2015

AS COISAS SIMPLES DA VIDA

Eu gosto de hambúrguer de padaria, sabe aquele com pão, carne e uma fatia de queijo? Aquele que você saboreia rapidamente com uma coca-cola bem gelada. Não é uma refeição, não é nutritivo e não é um prato com ambições de comida gourmet.

Mas é uma fórmula perfeita. E isso é o ritual do pop.  

O pop é algo aparentemente efêmero e banal, mas não é para qualquer um. Jack Kirby é o pop perfeito, Beatles é pop perfeito, Quentin Tarantino faz pop perfeito, Oasis fez pop perfeito, o punk de Buzzcocks, Sex Pistols, Joan Jett e The Runanways, o início do Clash. Os sub-rótulos estão aí para serem usados à vontade, mas todos os citados tiveram uma ambição primordial: fazer o melhor trabalho, conectar com o maior público possível, sem medo do sucesso. Uma pretensão despretensiosa, porque é inclusiva, não tem devaneios de supremacia ideológica, não pretende criar guetos.

A estética 'gourmet' assola cinema, quadrinhos, música jovem. Menos é mais, mas não hoje. O barroco acumula vitórias. Muito quadrinhista querendo bancar o 'autor', 'críticos' exaltando qualidades em obras sem qualidades, cinema dito 'de arte' vendendo gato por lebre para uma audiência ansiosa por pedigree e não conteúdo, bandas de rock falando sobre o espaço sideral e dominação com mentalidade de mecenas.

Mas vez por outra o levante popular volta com tudo, e faz revolução. Aconteceu antes e vai continuar acontecendo. As mesas viram e a simplicidade complexa volta a ser bola da vez. Fazer pop não é fácil, o fácil é ser barroco e complicar.      

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